quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Matar ou morrer!

(Mateus 5:21-22)

 “Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: não matarás; e quem matar estará sujeito a julgamento. Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento. Qualquer que dirá a seu irmão: racá, será levado ao tribunal; e qualquer que disser: louco, corre o risco de ir para o fogo de inferno”.

Uma das marcas da mensagem de Jesus é a capacidade que ele teve de superar o óbvio e nos chamar a níveis mais profundos de intimidade com Deus. Existem algumas coisas que qualquer um pode fazer, independentemente do que pense ou creia. Outras só poderemos fazer com a ajuda de Deus. A bíblia diz que qualquer um é capaz de amar uma pessoa amável, querida, até o pagão, aquele que não crê em Deus. Mas amar o inimigo, só cristãos são capazes de fazê-lo, porque precisarão da ajuda do Senhor para conseguirem isso. No texto acima, Jesus não tinha uma plateia de assassinos, mas de gente simples, pessoas pobres e rejeitadas pela sociedade, com baixo poder de resistência e autodefesa. Insistir com aquelas pessoas que matar é errado não era exatamente o objetivo de Jesus. Queria superar esse limite e estabelecer uma relação mais profunda. Se alguém se irar contra outro, já estará sujeito ao julgamento. A partir do NT não é só quem mata que vai para o julgamento, mas quem se irar ou disser racá estará sujeito a um tribunal. E se disser louco, estará sujeito ao inferno. E aí que Jesus nos deixa com algumas questões muito estranhas e difíceis de lidar. É como se Ele dissesse que à medida que a ofensa diminui de intensidade, a punição aumenta. Por que Jesus estabelece a ira como um problema?
O apostolo Paulo escreveu “Irai-vos, mas não pequeis”. As pessoas que mais nos provocam a ira são aquelas que mais perto estão de nós. O problema acontece quando a relação atinge um ponto absolutamente inaceitável, a ira vem como uma resposta de quem está percebendo que, se for para continuar assim, o relacionamento irá morrer, será destruído. A ira não é pecaminosa em si mesma, mas não pode me levar a agredir, ofender ou negociar valores que trago comigo. A ira sem motivo tem dois níveis. O primeiro é aquele em que a pessoa não fez nada para que nos iremos com ela. O outro é aquele embora se tenha um motivo, a ira é desproporcional ao motivo. Não quer dizer que o motivo não exista, mas a ira é infinitamente maior do que o motivo sugere. Então o julgamento é necessário. É aquele que acontece dentro de nós, onde o próprio Espírito Santo nos mostra que, se continuarmos com o caminho da ira, não só não resolveremos o problema do relacionamento como também pioraremos a situação. Quem se ira tem que estar sujeito ao julgamento de Deus.
Jesus continua. E se alguém disser ao seu irmão racá? Racá é uma palavra hebraica que vem de uma onomatopeia (uma palavra imita um som). Racá nasce do som que alguém faz quando vai escarrar. Na língua hebraica esse xingamento é direcionado a pessoas que gostaríamos de expelir da nossa vida. É quando a ira ultrapassou o limite e se caracterizou como ódio. Não é mais um amor ferido, mas uma auto-estima ferida que me leva a desejar que essa pessoa saia da minha vida, desapareça, para que eu não adoeça. Jesus disse que, quem fizer isso estará sujeito ao tribunal. O julgamento será mais elaborado e você terá menos chance de escapar porque você não está mais indignado com os rumos ruins do relacionamento, mas comprometido com o fim dele.
A terceira situação que Jesus descreve é quando alguém disser louco. Em aramaico, língua na qual Jesus pregava, a palavra “louco” é usada para descrever uma pessoa vã, do tipo tão ignorante, que não merece nada mais do que nosso desprezo. O que parece que Jesus quer tratar aqui é esse caminho que nos leva à ruptura nos nossos relacionamentos. Primeiro é a ira como percepção de que alguma coisa não vai bem. Depois vem o ódio, que é a sensação de que aquele relacionamento ultrapassou os limites e agora está fazendo mais mal do que bem. E finalmente a indiferença, que faz com que o relacionamento seja decretado como ponto vencido na minha vida, dentro de mim essa pessoa já morreu. O contrário do amor não é ódio, mas indiferença. A indiferença é o ápice do processo de ruptura. Pessoas indiferentes são como homicidas. Se o Sermão do Monte é o segredo do sucesso nos relacionamentos, aqueles que lutam contra os relacionamentos de modo a destruí-los, são semelhantes a assassinos. Estão matando as pessoas, não fora, mas dentro de si mesmas.
Mediante esse processo, o que fazer? Se sei que o caminho em que estou me levará a um lugar que não quero ir, o que posso fazer para não entrar nele? Essa estrada é quase que obrigatória, parece que todos os cruzamentos me fazem cair nela. Qual o remédio para não cairmos neste caminho? Queremos sugerir três:
1º. Empatia, que tem em sua raiz a palavra “pathós”, que significa sentimento ou sensibilidade. É a capacidade de ser afetado. Essa é uma das grandes características de Deus, a capacidade de ser afetado por nós. O que acontece com Deus na cruz é o supremo afeto que nós causamos na divindade, a ponto de morrer, padecer por nós. A divindade grega é impassível, porque quem não ama, não sofre. Só sofre quem ama. Deus sofre porque ama. Então, “pathós” divino é a capacidade que Deus tem de se importar. Quando alguém consegue ter empatia, dificilmente o outro vai lhe provocar ira. A empatia é o antídoto da ira. Empatia é a capacidade de, antes de pensar o que eu gostaria de dizer para essa pessoa, me coloco no lugar dela e penso o que ela gostaria de ouvir. Se estou no seu lugar, estou ocupado com você e quero ajudá-lo; quem quer ajudar não perde as estribeiras.
2º. O perdão é o antídoto para o ódio. Pedro perguntou a Jesus: “Mestre, até quantas vezes devo perdoar o meu irmão? Até sete?” Vamos falar a verdade, sete vezes é muito, não é? Mas não são só sete... Jesus disse para perdoar setenta vezes sete, 490 vezes! Quando você pergunta até quando perdoar, você está perguntando quando terá motivos suficientes para não mais querer uma pessoa na sua vida, ou quando terá motivos para o seu ódio ser justificado. A resposta de Jesus foi até 490 vezes, o que é o mesmo que nunca!
3º. O amor é o antídoto da indiferença. E aí eu preciso reconhecer que não sou capaz de amar, eu preciso de Deus. A pessoa que me irou a ponto de eu perder o controle, me prejudicou a ponto de eu odiá-la e achar que a minha vida é melhor sem ela... eu tenho que amá-la? Aí faz sentido ouvir que eu tenho que amar o inimigo, porque essa pessoa que me levou a odiá-la, já virou minha inimiga. Então Jesus fecha esse link dizendo: “Ame o inimigo”. Este é o sucesso dos relacionamentos. Ou o relacionamento é bem-sucedido ou um assassinato vai acontecer. E eu não sou capaz de amar o inimigo, eu preciso do amor de Deus.

Mensagem do Pr. Marcelo Gomes no culto das mulheres em 06/05/2015 na IPI Maringá.

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