quarta-feira, 6 de junho de 2012

Abigail e a vitória do bom senso

(I Samuel 25)

Abigail, uma mulher sábia e de bom senso. Falar dela é sempre um prazer. Saul era o rei de Israel quando Davi foi ungido rei por Samuel. Porém ele somente reinaria depois que Saul morresse. Davi, então, foi servir Saul no seu palácio, onde se transformou no maior comandante de seu exército, o que suscitou inveja por parte de Saul, que começa a persegui-lo. Davi passa a viver uma vida peregrina, fugindo. Também é importante destacar que a morte de Samuel não deve ter sido fácil para Davi, afinal, Samuel era o principal vínculo entre ele e o projeto que, ele cria, Deus tinha para sua vida. Vivia de deserto em deserto, convivendo com pessoas fugitivas até que acaba se tornando líder de um bando de 400 homens (pessoas sem família, assassinos, pessoas juradas de morte). Davi e seus homens acabam indo para uma região desértica onde morava um homem riquíssimo chamado Nabal (a palavra “nabal” tem origem hebraica e significa “estúpido”). Seu rebanho era numeroso e cuidado por pastores que, constantemente caíam em mãos de assaltantes. Quando Davi foi para essa região, acaba botando ordem e apesar de ser desértica e perigosa, se torna uma região tranqüila, pois Davi e os seus homens protegiam os pastores e os animais. Há simpatia entre os pastores e Davi por causa disso. Um dia Nabal fez uma festa e Davi sugeriu aos seus homens irem até lá participar da festa, comer e beber. Mas Nabal não permitiu sua entrada. Davi, enfurecido, acha isso grande desaforo e resolve matar todos os homens da terra de Nabal. Nesse meio tempo, Abigail é informada do que acontece por um empregado de Nabal. Essa mulher sábia e inteligente pega comida, animais e empregados e vai ao encontro de Davi. Quando o encontra, desce do seu animal, se prostra diante dele e fala todas as palavras lindas que lemos no texto. Palavras sábias que impedem Davi de prosseguir seu intento de matar Nabal. Uma mulher de joelhos estancou a ira de um homem e de todo um exército que ia provocar grande desgraça. Vocês não têm idéia do que uma mulher de joelhos pode fazer! Ela parou mais de 400 homens que rangiam os dentes com espadas na cintura, preparados para o que desse e viesse. Depois de ouvir Abigail Davi diz: “que bom que você teve bom senso e veio falar comigo”. O que faz uma mulher de bom senso? Qual o caminho que leva uma mulher a vencer com as armas do bom senso? Abigail teve que experimentar cinco vitórias antes de ouvir essas palavras de Davi:
1. Vitória sobre o desespero. Ao ser informada da má noticia, o que deixaria qualquer um desesperado, Abigail não se desesperou. A Bíblia diz que “o justo não teme má noticia”. Não que ele não receba a má noticia. A má noticia vem, mas não desestrutura, não derruba a pessoa. Abigail não se prostra diante da circunstância porque o desespero não ajuda ninguém. E quando ela se prostra diante de Davi, diz: “Davi, a culpa é toda minha”. Qualquer um de nós sabe que a culpa não era dela. Quem quer resolver problema não fica procurando culpado, assume a responsabilidade e vai fazer o que tem que ser feito. Abigail não deixou o desespero dominar o seu coração.
2. Vitória sobre a inércia. Ela venceu o medo de quando não temos para onde ir, com quem contar e que faz com que paralisemos. Abigail toma atitude: pega comida, arruma os animais e vai encontrar Davi. Ela pensa: qual a diferença de morrer aqui ou morrer lá? Não faz diferença morrer por uma ou por outra circunstância. Como nós queremos chegar nessa hora: corajosamente, com a nossa fé firme ou covardemente, tendo vendido a alma? Abigail fez este raciocínio. Qual a diferença morrer aqui quando esses homens chegarem e morrer lá enfrentando Davi? O medo não pode nos paralisar uma vez que temos um Deus que é maior do que tudo.
3. Vitória sobre a presunção. Ela não foi petulante, arrogante, de dedo em riste, acusando, pedindo satisfação. O texto diz que ela se humilha e fala com Davi com o espírito de serva. Essa é uma das principais características de quem crê que é Deus quem vai fazer a obra: humildade, coração tranquilo, na certeza de que Deus está indo à frente. “Hoje vou falar umas verdades para tal pessoa, vou passar isso a limpo”, é o que costumamos dizer quando estamos indo em nosso próprio nome e não em nome do Senhor. Não nos surpreendamos se o Senhor nos deixar por nossa conta e risco. Abigail foi em nome do Senhor, porque quem tem que ser honrado e glorificado nesta batalha é Deus e não nós. A humildade nasce da confiança de que é Deus quem vai fazer, que o coração do outro vai mudar, não porque estou gritando, ameaçando, mas porque o Espírito Santo está trabalhando. E estou aqui a serviço do Espírito e não a meu próprio.
4. Vitória sobre a incredulidade. Tudo que ela fez foi porque acreditou que Davi era escolhido por Deus para ser o novo rei de Israel. Abigail sabia que Deus tem um propósito, que Deus é soberano! Conseguiu enxergar as mãos de Deus em cada detalhe. Uma mulher de joelhos, frágil e pequena diante daqueles cavalos, animais fortes. Davi poderia dizer para passarem com os animais por cima dela. Mas essa mulher está cheia do Espírito Santo. E quando ela termina de fazer a sua pregação (a qual deveríamos ouvir todos os dias da nossa vida: não nos defendamos, porque quem cuida de nós é Deus), Davi responde: Abigail pode voltar, eu não vou mais. Aí, ela experimentou a quinta vitória.
5. Vitória sobre as circunstâncias. O que era uma ameaça, já não é mais. O que ninguém poderia resistir, foi resistido por uma mulher de joelhos. Ninguém enxerga tão longe quanto alguém de joelhos. Hernandes Dias Lopes costuma dizer que “um filósofo na ponta dos pés não enxerga tão longe quanto um crente de joelhos”. A história tem um lindo fim. Davi volta atrás, parecendo que tudo ficaria por isso mesmo. Mas quando a gente deixa nas mãos de Deus nunca fica por isso mesmo. Depois que acaba a festa, Abigail conta a Nabal tudo que aconteceu. Ao ouvir, ele tem um ataque cardíaco e morre. Quando Davi fica sabendo disso, manda dizer a Abigail que quer se casar ela. Mulher assim não se acha todo dia: bonita, inteligente, de bom senso. A mulher que era esposa de um “nabal” agora era a esposa de um rei.

Mensagem pregada pelo Pr. Marcelo Gomes no culto das mulheres do dia 23/05/2012 da IPI de Maringá.

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