quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ana e a cura da alma

( I Samuel 1:1-20)

Ana, mulher que teve sua vida em frangalhos, mas experimentou uma cura maravilhosa de Deus para o seu coração. Ana era uma mulher aflita, amargurada, cujo rosto estampava a dor que havia em seu coração. Há momentos em nossa vida que o nosso semblante “fala” dos nossos problemas, da dor pela qual estamos passando. O contrário também é verdadeiro. É possível que alguém experimente uma alegria tão profunda que o seu semblante se torna mais belo. Aliás, esta é uma verdade bíblica (Prov.15:13): “o coração alegre aformoseia o rosto”. Nosso rosto é uma espécie de outdoor da alma. Ele estampa os sentimentos que inundam o nosso ser. O rosto de Ana andava descaído e abatido pela privação, pela impotência de não ser mãe. Ela vivia numa época em que as mulheres eram valorizadas em razão dos filhos que davam aos seus maridos. Ela era refém desta dor, porque a impotência é um inimigo poderoso. Todos nós passamos por isso, independentemente de que impotência seja esta. Uma coisa é você enfrentar batalhas. Outra coisa é ter que enfrentar as batalhas sabendo que não tem recursos, não tem condições, não tem saídas, não tem pra onde ir. A dor a impedia de desfrutar tudo o mais que tinha. Seu marido tinha outra mulher, com quem tinha filhos, mas seu coração pertencia a Ana. Talvez você já tenha passado por experiências assim, o coração fica apenas “naquela” dor. Não é capaz de agradecer pelo dia, pela família, pela roupa do corpo, pois a única coisa que inunda seus pensamentos é a sua adversidade. É difícil conviver com pessoas que não dão valor para nada, só para os seus problemas. São pessoas “pesadas”, cansativas. Elcana, o marido de Ana, chegou a perder a paciência com ela, pois sempre a tratava tão bem e ela só chorava pelos cantos, não se alimentava, tinha o rosto sempre triste. A dor não nos deixa reconhecer as coisas boas que temos. A dor de Ana era inflamada pela rivalidade que tinha com Penina, a outra esposa do seu marido. Sempre que temos uma luta, existe uma “coisa” para piorar. Até porque o diabo é especialista em piorar as coisas. A dor de Ana só começou a mudar depois que ela a levou para o altar de Deus. Este texto que lemos só está hoje diante de nós porque um dia Ana colocou sua dor diante do médico de alma, que é para onde devemos levar as nossas dores. Não há dor que não possamos levar para o altar de Deus. Se sua alma está enferma, o médico da alma precisa ser acionado. Aprendemos com Ana três lições:

1. Aprenda onde levar suas angústias para não canalizá-las na direção errada. Enquanto Ana não levou a sua dor ao altar, todo mundo participou disso. Havia pessoas que estavam dispostas a ajudar e outras que estavam dispostas a atrapalhar. Quando não levamos nossa dor ao altar de Deus, a levamos as outras pessoas. Contamos para todo mundo e ninguém consegue resolver, a não ser Deus. Se Deus não suprir nosso coração, o diabo vai mandar alguém que, acreditamos, irá suprir. Quando as nossas carências são projetadas nos outros, as feridas se tornam maiores do que eram antes. Ninguém preenche o coração de ninguém. Quando contamos nossa dor para uma pessoa, no princípio ela pode até chorar conosco. Mas se continuarmos falando no mesmo assunto muito tempo e permanecermos nesse foco, a pessoa já nem vai querer nos ouvir. Aí, começaremos a passar por vítima: “ah, ninguém gosta de mim...” A pessoa certa para cuidar das nossas crises é o Senhor. Não que uma pessoa não possa ajudar, mas ela não pode resolver. Bom amigo é aquele que ora junto conosco e nos lembra que a única pessoa que pode realmente ajudar é Deus.

2. Aprenda a dar ouvidos às boas palavras e a não às más. O momento decisivo na vida de Ana foi quando ela foi a Siló e ali encontrou o sacerdote Eli, usado para abençoar vidas. Ele era uma pessoa com muitos problemas (às vezes, as outras pessoas têm problemas bem maiores que os nossos). Ao ver Ana clamando a Deus, pensa que ela estivesse bêbada e a manda ir para casa.  Ela lhe responde que estava orando. Ele fica constrangido e pede que Deus a abençoe. Ana soube filtrar as palavras do sacerdote, ou seja, recebeu somente a bênção do Senhor e não saiu ofendida com ele por pensar que estava bêbada. Normalmente a gente recebe a primeira palavra e joga fora a segunda. Se Ana não estivesse comprometida com a cura da sua alma, teria saído ofendida e não confiante no Senhor. Muitas vezes entramos na presença de Deus e saímos sem confiar nEle e ainda ofendidas com o irmão que não tem nada com nosso problema. Ou você nunca parou de buscar a Deus porque uma irmã lhe fez um desaforo? O ser humano é capaz de abandonar Deus por causa de alguém que lhe fez um desaforo. Importa o que vem da boca do Senhor e não da boca de outros. Deus estava tratando da alma de Ana e ela aprendeu a lição. O apóstolo Paulo nos ensina e julgar todas as coisas e reter só o que é bom.

3. Aprenda a confiar em Deus enquanto desfruta das coisas boas que Ele já deu. A marca final da cura da alma de Ana é quando ela se levanta da oração e um fenômeno acontece em seu rosto: já não estava mais abatido. A cura da alma de Ana não veio quando Samuel nasceu, mas quando ela confiou no Senhor. Aí ela comeu e o seu rosto já não era triste. Coloque o seu problema nas mãos de Deus. A cura da sua alma pode vir antes de sua oração ser atendida. Ela vem com o fim do vitimismo. A cura da alma vem quando descobrimos o amor de Deus, e com a coragem de seguir em frente apesar da falta de solução.

Mensagem pregada pelo Pr. Marcelo Gomes no culto das mulheres do dia 16/05/2012 da IPI de Maringá.

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